Diversas atividades lembraram a data no último domingo. Roda de conversa debateu a importância do negro na sociedade
Fotos: Igor Lima/SEMCOM
André Uchôa - As comemorações em alusão aos 131 anos da abolição da escravatura tiveram destaque em Queimados. A Prefeitura de Queimados, por meio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Promoção da Cidadania, promoveu neste domingo (2), no auditório do Centro de Esporte e Lazer da Terceira Idade, uma Mesa Redonda sobre o tema ‘Onde estão os negros? Onde estão as comunidades tradicionais de matrizes africanas?”. O evento reuniu cerca de 150 pessoas com a presença de historiadores, representantes de Matrizes Africanas, além da participação da sociedade civil e poder público.
Decorrente da sanção da Lei nº 3.353, conhecida como Lei Áurea, que decidiu definitivamente libertar o povo escravo da mão de obra barata, a iniciativa teve como objetivo promover um debate sobre a visão da população negra sobre o fim da escravidão. “O Brasil foi o último país a fazer o processo da abolição da escravatura. É por este motivo que estamos aqui, pois é fundamental que exista esse debate para refletir esse processo tão demorado. Infelizmente, ainda sofremos as consequências do escravismo com atos de racismos e preconceitos que é uma realidade do pais”, frisou o Secretário Municipal de Direitos Humanos e Promoção da Cidadania, Luis Macedo.
Para o historiador, João Gomes, o processo que culminou na libertação dos africanos escravizados vai além da assinatura da Lei Áurea: “Os livros didáticos de História colocam a princesa Isabel como heroína da libertação dos negros do trabalho escravo para as nossas crianças nos colégios, reproduzindo uma versão racista dos fatos. Na verdade, a escravidão só teve fim não por vontade da princesa, mas por consequência das transformações sociais e econômicos do século 19, seguidos de revoltas, fuga dos quilombos, suicídios, que causaram prejuízos para o sistema, levando-a ao seu fim. Se a escravidão teve seu fim há cerca de 131 anos, no cenário atual não há ainda o que se comemorar”, frisou.
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